Friday, August 25, 2006

Nunca te vi... Sempre te amei!!!

84 Charing Cross Road

(Roberta Larini)


Amores atuais. Amores virtuais. Intimidade trocada com desconhecidos tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes.
Lembro do filme “84 Charing Cross Road”, traduzido como “Nunca te vi, sempre te amei” com o Anthony Hopkins e Anne Bancroft. Ele um livreiro londrino, ela uma escritora norte-americana; trocam correspondência por vinte anos, mas nunca se conhecem pessoalmente. Tentativas não faltam, mas sempre acontece alguma coisa que os mantém ainda mais afastados fisicamente. Porém, o íntimo, o pessoal, os sentimentos se consolidam intensamente.
Voltamos ao mundo real. Pessoas trabalham muito, pessoas estão sempre com pressa, pessoas não tem tempo de dar atenção aos amigos reais. Estas pessoas, conseguem encontrar pequenas brechas de tempo em raros momentos de um duro dia de trabalho; raros momentos em que estão em casa e em vez de darem atenção à família, estão sentadas na frente de um computador.
Pessoas criam intimidade com pessoas que nunca viram na vida, mas que se tornam próximas, íntimas e pessoais. A Internet torna possível este acesso. Assim como os fotógrafos da National Geographic desbravavam continentes, desbravamos países, cidades e indivíduos. Somos pesquisadores, exploradores da vida alheia.
O MSN nos proporciona falar com alguém como se fosse ao vivo e a cores, pois pessoas costumam escrever da mesma forma que falam. Pessoas tem coragem de escrever o que não tem coragem de pronunciar.
Ainda tem o “Orkut” que não deixa de ser um google de indivíduos, um álbum de figurinhas exibicionista, uma Caras virtual. Fonte de contatos, encontros e desencontros para alguns, reputação degradada para outros. Alguns até cometem o orkuticídio, o famoso suicídio da rede. Sim, até isso já existe.
Penso se é possível transpassar o sentimento virtual para o mundo real. Acredito que sim, pois as pessoas se revelam, expõem seus medos e angústias virtualmente. O “Orkut” cria mitos e os indivíduos podem se tornar apaixonantes. Você idealiza alguém que não conhece e só enxerga qualidades. Você conhece a mente de um indivíduo antes de tocar no corpo, na matéria. A alma e o corpo. O peso e a leveza. A insustentável leveza do ser.
Portanto, dedico este texto a todos que não se conhecem, a todos que um dia virão a se conhecer. Nunca te vi, sempre te amei. Mas quem sabe um dia ...

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