Sunday, October 08, 2006

O Um Anel para todos Governar

Senhor dos Anéis


Seria o amor essa doação ilimitada a uma completa ingratidão? Seria esse amor deliciosamente desnecessário, sem jamais deixar se completar? A teoria gestáltica nos ensina a desviar nosso foco de atenção, a buscar novos horizontes, a esquecer o que não queremos viver, o que não queremos lembrar. Frederick Perls, psicanalista e discípulo de Freud, observou clinicamente seus pacientes e percebeu que em várias situações de vida presente no cotidiano de um indivíduo, aparecem necessidades que o organismo determina como sendo mais ou menos prioritárias.
O foco de atenção, o elemento principal em sentido e importância, está sempre e permanentemente se abrindo e fechando em nossas vidas. Porém, alguns indivíduos não conseguem fechar suas gestalts, sempre deixando situações de vida em aberto e sem solução.
Transcrevendo essa teoria para definir o verbo amar, pode-se dizer que nossos amores estão sempre em movimento. Amamos um, amamos muitos, não amamos ninguém. Sempre depende de uma variável. Em que situação nos encontramos em determinado momento de nossas vidas. O que é mais importante para nós em determinado momento. Trabalho, estudo, dinheiro, status, poder, família, amor... Qual a ordem dos fatores? Na escala crescente dos sentimentos, na avaliação individual do ser, quem é o número um para você? No amor, a ordem dos fatores altera o produto e muito.
Eternamente insatisfeitos buscamos o belo, o inteligente, o perfeito. Buscamos pessoas de contos de fadas. O príncipe encantado que nos salvará da madrasta má (subtende-se as dificuldades do nosso universo) e que nos despertará para uma nova vida, para um mundo imaginário onde todos são perfeitamente felizes. E assim caminhamos encontrando muitos sapos no meio do caminho. Muitas pedras no meio do caminho. Sempre em busca da nobre visão de um cavalo branco. Sempre em busca dos elfos - altos, nobres, perfeitos - escondidos em alguma floresta de uma terra isolada, distante. Alguns se contentam com orcs, com magos, com hobbits. Outros passam a vida procurando a floresta encantada, em busca dos elfos imaginários.
E assim trilhamos os mais árduos caminhos das Terras de Mordor, cruzando por todos seres que lá habitam. Os hobbits se tornam nossos amigos, os orcs eternos inimigos, os magos, indíviduos que nos iludem e que acreditamos e nos envolvemos por um tempo.
No entanto, estamos sempre buscando o “Um Anel”. O “Um Anel” para todos governar e na sombra aprisioná-los. Estamos em busca do nosso centro de poder, daquele que superará a todos, daquele por quem iremos lutar, defender e amar. Alguns já encontraram esse “Um Anel”, outros pensam que encontraram. Infelizmente, a maioria está destinada a vagar pelas inóspitas Terras de Mordor e talvez um dia, algum dia, encontrem o anel de poder no centro das Montanhas da Perdição, próximo ao fogo onde foi forjado.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home